Conhecimento para a maioria é fim em si mesmo.
Quanto mais conhecimento, melhor será a pessoa.
Quanto mais ler, mais estará “pronta” para o mundo.
É o conhecimento bancário (Freire), acumulativo, quantitativo.
Quanto mais sei, sou.
(Bom lembrar que Hitler tinha uma biblioteca de 36 mil livros, o que mostrou que conhecimento nem sempre nos torna melhor, caindo por terra uma corrente iluminista que acreditava no mito de quanto mais eu leio, mas sábio sou.)
Para outros (onde me incluo) conhecimento deve ser meio.
Quem geralmente vê conhecimento em si mesmo, não leva em conta que nosso cérebro é uma arma competitiva para sobreviver e viver melhor.
Desenvolvemos o cérebro por uma questão de sobrevivência para quebrar coco, para fazer fogo, a roda e inventar o Twitter.
O primeiro mais cheio de curvas, que gosta de dar uma volta em Florianópolis para ir da Barra à Ipanema.
E o que querem chegar mais rápido, de maneira mais eficaz, produtiva e barata.
(Não confundir isso com preparar para o “mercado”!)
Se ensinamos assuntos – como na escola hoje – pode-se resolver problemas, mas é um processo mais lento e caro.
E tem como efeito colateral – a alienação e a falta de motivação.
O que não quer dizer que valha para todos, mas para a grande maioria.
O mundo hoje pode gastar tanto e ser tão ineficiente separando o mundo por assuntos?
Ou temos o caminho mais direto?É uma questão de método (de ensino.)
Mostra-se os problemas e vamos juntando os assuntos necessários para resolvê-los.
Neste caso, desenvolve-se a parte do cérebro que resolve problemas, a linkadora, a criadora, a articuladora, num mundo cada vez mais em rede e com excesso de informação.
Nesta, o senso comum é wiki, criado, inventado, mudado o tempo todo.
É uma escola criativa, mutante, em que todos aprendem, incluindo o professor.
Uma escola 2.0, em rede colaborativa.
Ou valorizamos a atual?
Nela desenvolve-se principalmente a parte do cérebro memorizante, aguardante, consolidante, num mundo que precisa inovar?
Uma escola em rede hierárquica?
Nesta, o senso comum é um substantivo, uma coisa, parada, moldada.
(Que, aliás, é a lógica da gestão de conhecimento. Juntar para depois criar, quando der.)
Uma escola doutrinadora.
E aí dirão os mais conservadores:
Mas não é esta a escola que formou nossos filhos e netos?
Sim, mas o mundo não saltou de 1 bilhão de habitantes para 8 bilhões em 200 anos?
E não se conectou mais?
E não se globalizou?
E não ficou mais complexo?
Esta escola ajuda a resolver nossos novos dilemas em rede?
Caiu a seguinte ficha esta semana.
O ensino por assunto e hierárquico – é um meio de ensinar.
O ensino por problemas em rede; outro.

Cada um serve para determinado ambiente.
Dão resultados, sem dúvida.
Mas a questão toda é que a escola por assunto, newtoniana, foi criada para um mundo de 400 milhões de habitantes, espalhados em civilizações separadas, na qual um índio matava um macaco e ia para casa dormir.
Hoje, mata-se o macaco e no dia seguinte está no Twitter, no Facebook, o Grenpeace está na porta protestando e um fiscal do Ibama já vem com a multa.
Pois um macaco está dentro de uma rede ecológica, hoje concebida e preservada!
São 7 bilhões conectados com celular no bolso e vontade de intervir na mão.
Ou seja, interconexão civilizatória, mundo chato, plano, complexo e lotado.
Quantas decisões um índio tomava por dia?
E quantas temos que tomar hoje?
Centenas cada uma mais complexa e com mais implicações, vide macaco.
Mas temos que ver qual é o mais adequado para cada civilização, já que estamos migrando de uma “A” para outra “B” com a chegada da rede digital colaborativa.
O primeiro método, por assunto, é mais lento e caro.
O segundo, por problema, mais dinâmico e barato.
O primeiro serviu a um mundo estático, na qual a escola era instituição doutrinadora e mantenedora do status-quo.
O mundo hoje não pode mais perder tempo em doutrinar, pois precisa criar e se reiventar o tempo todo.

A boa escola antiga não serve mais ao sistema.
Doido? Pois é.
Sim, este mesmo que chamamos de capitalista.
O mundo fala hoje em criatividade destrutiva.
Estranho né?
E por isso, por baixo, pelos novos alunos que entram, que vão virar professor.
E por cima: pelo desejo de quem coloca os filhos na escola e quer um estudante adequado ao ambiente produtivo da vez.
E ainda mais do alto: o setor produtivo que precisa de gente que saiba tomar decisões cada vez melhor e mais rápida, articulando mundos de informações divergentes e espalhadas!
Finalmente, a escola vai mudar!
Pois a sociedade começa a olhar para a escola e pensa:
Olha o monstro que criamos?
Não, não é o Serra!
Até pedir café que vamos tomar (descafeínado? com adoçante? com grão árabe ou colombiano?)
(Um primo meu contou, quanto estive lá, que em Vancouver se sabia se o cara era da cidade pelo tempo que levava para pedir um café; quanto mais, mais era local. Quanto menos, mais gring0.)
Ou seja, a escola está caindo de madura, pois mesmo aqueles que acreditam no conhecimento como ferramenta, parte da premissa antiga: temos tempo para formar e o cara se vira depois.
Hoje, o garoto já nasce com um Ipod no ouvido, antes do médico dar uma palmada, e já tem saber se baixa Axé ou Rock Progressivo? Atualiza a ROM ou deixa do jeito que está?
O paradigma é outro.
O cérebro é flutuante e linkante.
Algo vai entrar (como já está entrando) em choque.A escola devia ser asa delta e é âncora.
Por fim, para fechar o caixão desse post que já tá longo.
O problema da ecola, a meu ver, é o problema de custo/benefício para a civilização atual.
E as implicações indiretas, motivação dos agentes envolvidos (professores /alunos / família/sociedade.)
Me digam se na escola atual existe vida e movimento?
Está lenta, chata, cara, improdutiva.
Professores e alunos alienados, estou mentindo?
(Li, coloco depois, não sei onde, que quanto menor a nota do Enem, mais o candidato quer ser professor. Triste, não?)
O conhecimento cada vez mais mutante circula em outro tempo e a escola tem que se ajustar a ele.
Quanto mais cedo uma criança aprender a lidar com problemas e decisões, agregando assuntos e pessoas para resolvê-los de forma holística, ética e ecológica, melhor!

Essa é a mudança que está aí.
E que vai exigir uma nova escola na virada de uma civilização para outra.
Hora de mudar!
Concordas?
Fonte (http://nepo.com.br/)
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