sexta-feira, 14 de maio de 2010

Web 2.0 na Administração Pública - Caso Cabo verde


O cenário da Web actualmente, apresenta-se como um novo paradigma, uma nova forma das pessoas se relacionarem, gerando novos comportamentos e criando novas comunidades. Hoje a Web pode ser vista como uma plataforma onde se constroem novas formas de socialização. A construção de espaços para colaboração, interacção e participação comunitária tem sido chamado de Web 2.0.
O’Reilly (2005) considera ainda, a web 2.0 como uma nova concepção, [...] pois passa agora a ser descentralizada e na qual o utilizador torna-se uma entidade activa e participante no processo da criação, selecção e na troca de conteúdo publicados num determinado site por meio de plataformas abertas.
Portanto, hoje temos uma plataforma, focada no utilizador, productor de conteúdos. Este é de facto o traço fundamental da Web 2.0. A possibilidade de qualquer utilizador ter o poder de produzir, publicar e partilhar conteúdos.
De  acordo com Pereira e Silva (2007), “um outro aspecto importante é o conceito de comunidade. Ele já existia desde o início da Web nos fóruns e nas conhecidas “salas de discussões”. Porém, nos últimos anos, o crescimento foi considerável e caracterizou uma verdadeira revolução social na Web”.
A Web 2.0 ganha foco numa altura em que os modelos tradicionais de governação assentes em posturas tutelares e autoritárias, já não respondem à demanda das Sociedades modernas. A orientação da governação para o “Conceito de Cliente” e para as necessidades específicas por estes valorizadas, torna-se, cada vez mais imperativo. Neste novo cenário, vê-se potencializado a possibilidade da utilização do conceito web 2.0 como um modelo alternativo no processo de Governação. Nesta conjuntura, surge então a Governação Electrónica.
Governação electrónica é um processo de modernização da governação, baseada na utilização das tecnologias de informação e Comunicação (TIC) que coloca o cidadão e as empresas no centro das atenções permitindo maior acesso e qualidade da informação pública, promove a melhoria da prestação e da acessibilidade a serviços publicos, aumenta as oportunidades de participação cívica e democrática tornando a governação e a Administração pública mais eficaz e eficiente, menos onerosa e mais responsabilizada. (PESI, 2006)
“A boa governação tem sido uma prioridade para Cabo Verde e encontra-se expressa tanto nos discursos políticos do governo como nas linhas estratégicas dos principais documentos de desenvolvimento de cabo verde.”PESI (2006)
Numa altura em que fenomeno web 2.0 é um dos assuntos mais descutidos na cenário da internet, cabo verde não fica atraz, tendo já algumas aplicações (SIM, SNIAC, SIGOV, SIS, SIPS, etc) utilizadas no ambito do programa de Governação Electrónica que podem ser consideradosa da segunda geração da web.
Contudo podemos constactar uma utilização dos recursos da web 2.0, mais a nível da Administração interno, existindo ainda um conjunto de outros recursos para ser explorados (twitter, Facebook, Blogger, Youtube, wikimapia, Wikipedia, etc), que possibilitam uma maior abertura e uma maior facilidade de relacionamento com o cidadão...
Acredito que a adaptação do processo administractivo cabo verdiano a essa nova abordagem, está longe de ser algo fácil porque impõe mudanças significativas quer na mentalidade que nos processos e formas de trabalhar.
Anteriormente a tarefa de pidir um registo criminal, um atestado de hobito, ou outro documento no cartório, éra algo que exigia ter tempo para enfrentar as longas filas, paralem de todo o processo burocratico que o documento enfrenta até chegar à pessoa que a requisitou.
 Sendo o segundo pilar do Plano estratégico para a Governação Electrónica (PESI) “uma Governação mais proxima dos cidadãos”, não podemos deixar de lado um conjunto de ferramentas e serviços disponíveis na nova geração da web que possibilitam um maior envolvimento dos cidadãos nas atividades governamentais, possibilitando assim uma prestação do serviço publico de maior qualidade, e transparencia.
Obviamente que determinados serviços da nova geração da web, requerem obrigatoriamente o cumprimento de alguns requisitos, a nível de infraestructura, como por exemplo uma arquitectura tecnológica de banda larga interoperável e segura.
No fundo o que se chama de web 2.0 hoje, é exatamente o que tem sido implementado na administração pública a nível interno, atravez de sistemas que utilizam a internet como plataforma e da disponibilização de softwares como serviços.
Tendo em mente os traços da web 2.0 citados anteriormente, fica evidente uma forte cintonia relativamente aos pilares da Governação Electronica em Cabo verde. Isso impõe quase que obrigatóriamente às entidades competentes, a adoptares e comessarem a pensar nessa nova abordagem.

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